Na sua opinião, esse crescimento se deve ao Plano de Ação de Ciência, Tecnologia e Inovação (PAC,T&I – 2207/2010) do MCT, lançado há um ao, que tem um capítulo específico para tratar dessa questão. "Pela primeira vez a Política de Ciência e Tecnologia coloca de forma muito clara a prioridade de apoio à inovação tecnológica nas empresas.
Guilherme Pereira lembra que em 2006, o número de empresas que usavam recursos para financiar suas pesquisas com base no desconto do imposto de renda era de 130. Em 2007 esse número saltou para 321 empresas, ou seja, um crescimento de mais de duas vezes e meia. "Também é significativo o item valor, pois em 2006 o volume de investimentos das empresas foi de R$ 1,5 bilhão, valor que chegou a R$ 4,85 bilhões no ano passado".
O secretário destaca, que "para se ter uma idéia melhor da ordem de grandeza desses valores, basta dizer que o montante de 2007 representa 0,19% do Produto Interno Bruto (PIB). "Se nós temos uma estimativa de que o setor privado participe com meio por cento do PIB nos investimentos em pesquisa e desenvolvimento no Brasil, só esse grupo de empresas representa 40% disso", comemora.
Esse quadro positivo é o responsável pelo otimismo do secretário mesmo antes da conclusão do levantamento de dados da inovação no País. "Com segurança podemos dizer que hoje dispomos de um conjunto muito robusto, de instrumentos voltados à inovação nas empresas" Pereira lembra que o leque de empresas é muito variado, tanto pela variedade de setores de atividade em que operam, como pelo porte das empresas. "E esse conjunto de instrumentos que temos procura
cobrir toda essa diversificação. Cito, por exemplo, o programa de extensão tecnológica e o Sistema Brasileiro de Tecnologia (Sibratec), que é um dos tópicos do Plano de Ação de C&T.
O Sibratec, explica Pereira, objetiva apoiar a inovação nas pequenas e médias empresas, indo desde a extensão tecnológica até a consultoria tecnológica, podendo ajudar o empresário a identificar um problema que tenha, ou um gargalo tecnológico na sua estrutura e apontar a busca de solução. O Sibratec também apoia profissionais e laboratórios acadêmicos, que estão voltados para interagir com empresas no desenvolvimento de processos e produtos.
O secretário cita ainda o programa de Serviços Tecnológicos, que é um programa que apoia a formação de redes, modernização, melhoria das redes que prestam serviços tecnológicos em todo país. Esse programa visa a disponibilizar os serviços de calibração, de ensaio, de testes de produto para as empresas. Como terceiro componente, Guilherme Pereira cita do programa
Para empresas de pequeno e médio portes Pereira aponta os programa de subvenção econômica. Elas podem apresentar projetos de pesquisa em editais de chamada pública e vários foram lançados este ano. Eles reúnem um valor de R$ 450 milhões, colocados à disposição das empresas. Esse recurso serve, inclusive para bolsas de pesquisa, para que a empresa possa absorver pesquisadores em seus quadros por um determinado período.
O secretário do MCT diz que as empresas podem continuar abatendo no imposto de renda os investimentos em inovação tecnológica. Se a empresa incorporou ou ampliou seu quadro de doutores para o trabalho de pesquisa, se depositou pedidos de patentes, por exemplo, pode deduzir 100% da despesa. Isso, destaca Pereira "pode resultar na redução do custo final da pesquisa da ordem de 34%. Ou seja, se ela gastou um valor 100 na pesquisa, vai desembolsar apenas 66, e os outros 34% seriam reduzidos do imposto de renda". Ele ressalta que esse é um instrumento de apoio a inovação que está sendo muito utilizado pelas empresas, "e tem sido muito elogiado e bastante estimulado".
Quanto a crise na economia mundial, Pereira diz desconhecer qualquer informação de empresas que tenham reduzido investimento em pesquisa, ou que tenham cortado pessoal para essa atividade. "Na verdade, esperamos que isso não ocorra". Na sua opinião, "hoje, a maioria das empresas no Brasil já são conscientes de que o investimento na inovação é um gasto estratégico, estruturante a médio e longo prazo, e que cortar recursos na área de inovação pode ser prejudicial, já que ela precisa se manter no mercado".
O secretário do MCT espera que a crise não afete os investimentos na área de inovação em 2009. "Estamos atentos, buscado sempre ouvir os setores empresariais. Caso haja problemas com a área de inovação, vamos sugerir ao governo a adoção de alguma medida, que possa não deixar que se perca o que já foi conquistado no País na área de inovação".
Deográcia Pinto - Assessoria de Comunicação do MCT
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